O som dos instrumentos de percussão, aliado à batida marcante do violão, faz lembrar um estilo afro-pop. Babado Novo chegou ao mercado sedento de novidade e logo caiu no gosto dos produtores musicais. Dona de uma voz maravilhosa, Cláudia Cristina Leite Inácio, vocalista da banda, também é compositora. Além disso, toca violão e guitarra. Aos 23 anos de idade, ela faz parte da nova geração da axé-music.
Influência
Ela começou a mostrar sua inclinação musical aos 3 anos de idade, quando cantou a musica tema de Emília do \'\'Sítio do Pica-pau Amarelo\'\' em um restaurante em Itapuã (BA). Sua primeira influência musical veio quando criança, através de um tio violonista, que tocava na noite carioca. Aos 7 anos, fez parte de um grupo musical infantil de Salvador, o Piaçã. A estréia profissional aconteceu aos 13 anos como backing vocal do cantor Nando Borges, um compositor baiano.
\'\'Eu já era bem desenvolvida. O dom de cantar é um arquétipo, um presente divino.\'\'
Cláudia, como a grande maioria dos artistas baianos, fez shows de voz e violão nos bares de Salvador. Passou pelos grupos Petboom, Crocodilo, Companhia do Pagode e Nata do Samba e, quando o Babado Novo estava em processo de formação, cantou blues nos bares Boêmia e Quereres, para levantar uma grana.
O novo \'\'babado\'\'
Ela sempre fez barzinho simultaneamente a todos os trabalhos que tinha com banda. Com o desejo de fazer música pop, onde tivesse direção artística e musical, ela conversou com Sérgio Rocha, que é o diretor da banda atualmente. Mas se fossem fazer música pop, jamais poderiam tocar em trio. Como ela nasceu em trio elétrico, não poderia aceitar isso e propôs uma mistura de pop com música baiana. Fizeram o projeto e apresentaram para Cal Adan (empresário, produtor e sócio da Bicho da Cara Preta que lançou o É o Tchan), e começaram os ensaios com a banda ainda sem nome. Em outubro de 2001 fizeram a primeira apresentação, já mais ou menos do jeito que queriam, com um som meio afro-pop.
O nome Babado Novo foi idéia do empresário da banda. Já que era um ritmo diferente, era uma mistura, surgiu o comentário de que era um babado, e por causa da gíria ficou o Babado Novo.
Na época, o músico Alexandre Peixe tinha criado uma música com esse nome. Ela foi gravada pela banda Patchanka e fez sucesso. Depois, Peixe mostrou a letra para um dos empresários da banda, Cal Adan. Ele gostou da canção e achou que era a cara do grupo que não é apenas uma banda, mas um novo ritmo. A letra diz: \'\'... Tá na boca do povo, babado, babado novo...\'\'
Determinação
Cláudia aprendeu a tocar violão com revistinhas. Chegou a freqüentar a faculdade de música por 4 semestres, mas viu que não dava tempo de aprender muita coisa na prática com a teoria musical. Agora ela continua aprendendo também.
Além da faculdade de música ela chegou a freqüentar o curso de direito por 2 semestres e comunicação social durante um mês. Esse foi o tempo necessário para que Cláudia Leite descobrisse que seu destino era mesmo os palcos e os trios elétricos. Amante da música, escolheu o primeiro curso justamente por isso, mas acabava perdendo disciplinas por trocar a sala de aula pela cantoria.
Cláudia conta uma história que marcou seu trabalho e mostra sua determinação para chegar onde está hoje:
\'\'Uma vez eu estava em São Paulo e pedi para dar uma canja em um show de uma banda, cujo nome nem vem ao caso. Eles disseram que sim, mas não me chamavam. Eu andei até o fundo do palco escondida e subi, fui lá e cantei. Disse: \'\'E aí, beleza? Vim cantar com você\'\'. A maior cara-de-pau. Hoje eu não faria isso. Mas foi massa. Eu pedia, implorava para poder cantar. Foi numa dessas, inclusive, que eu fui vista por Cal Adan (o criador do É o Tchan!), que é sócio de Manoel Castro, que é meu empresário também.\'\'
Uma das características da Babado Novo é a viagem que faz com desenvoltura entre o pop e a axé-music. \'\'É como diz a canção: \'\'O Novo Sempre Vem\'\'. Isto é a Babado Novo, uma renovação do axé\'\', comenta Cláudia. A Bahia é conhecida como um celeiro cultural, que a cada verão coloca no mercado novos talentos. E Babado Novo se transformou em um desses talentos com seu carisma e brilho próprio.
Descoberta por Manoel Castro, piloto da produtora Pequena Notável, Claudinha, como é carinhosamente chamada por amigos e fãs, correspondeu às expectativas do empresário que optou por colocar a Babado Novo em palcos fora da Bahia. Acertou na estratégia e hoje tem que fazer jogo de cintura para controlar os inúmeros pedidos de show vindos de contratantes, muitos deles amigos, que chegam a brigar por uma data da banda.