Como você descobriu o lado musical?
Totalmente por acaso. Eu estudava no salesiano e em um festival de música no colégio, eu brincando na sala da banda, estava tocando uma música na guitarra e cantando. Um colega meu de sala ouviu e pediu pra que eu cantasse uma música dele no festival, já que eu sempre fui bastante popular no colégio. Cantei, gostei e um ano depois eu encontrei com esse meu amigo, que estava com uma banda. Ele me chamou pra ver o ensaio e o cantor não foi. Cantei durante o ensaio e eles me chamaram pra entrar na banda e eu entrei assim: Pela falta do cantor. Era uma banda chamada Limão Tropical, eles só tocavam bossa nova na época, mas quando eu entrei, já entrei com o lado "axézeiro" do Carnaval. Eu fazia o repertório de carnaval e tinha um outro voalista que fazia bossa nova.
Por quantas bandas você já passou?
Começou com Limão Tropical, depois assumimos a banda Caramelito, depois passamos a ser banda Caramelo, depois Papa Léguas, Cheiro de Amor, Pimenta N`ativa e agora a Maria Juaquina, que dessa aí eu não vou sair.
O que levou à sua saída da Pimenta N`ativa?
Foi uma coisa minha mesmo. Quando surgiu a Pimenta, a proposta era que eu passasse de empregado para patrão. Saí da Cheiro de Amor e a gente montou a Pimenta. Só que lá eram 3 donos. Trabalhava com um escritório que tinha 75% da banda e eu tinha 25%. Agora a Maria Juaquina é só minha, só sou eu, o escritório é meu, eu montei tudo, eu chamei a banda. É uma coisa agora mais gostosa, posso falar assim, porque tudo eu que resolvo. Sempre sou eu e "Fábia" (Fábia Taffarel - sua esposa), então conversamos e resolvemos tudo sobre a banda. Está muito bom assim.
O que muda com a Maria Juaquina? O estilo muda?
O estilo musical continua o mesmo, porque é o meu estilo, a minha cara. Sempre busquei fazer o meu trabalho lá dentro. A gente muda o nome, muda os músicos, mas o estilo da banda continua o mesmo, porque é a nossa cara. Tanto é que o nome é Maria Juaquina, em cima da música, em cima do que me caracteriza. Ontem mesmo uma pessoa falou: "Esse aí não é brincadeira não! esse gosta de fazer festa!", exatamente por isso. Virou a minha cara.
Existiu uma Maria Juaquina? Ou alguém que inspirou a música?
Não. Na época não. Inclusive eu estava solteiro, procurando a Maria Juaquina e achei depois de alguns anos... (risos).
O que você pretende levar de inovação pro Carnatal 2004 (Natal/RN), no bloco Galo do Sol?
Fiquei muito grato à turma do Galo por ter me dado oportunidade de já participar no ano passado e fiquei encantado com a receptividade das pessoas. Fiquei babando em cima do trio elétrico e fui muito bem recebido por Almir Rouche. A gente vai conseguir fazer uma parceria boa. O diferencial do galo vai ser exatamente esse: Vai ser o único bloco que vai ter axé da melhor qualidade e frevo da melhor qualidade. Será uma dobradinha muito boa.
Falando em axé, temos uma pergunta tradicional: Você acha que o termo "axé-music" foi bem elaborado e representa as bandas da Bahia?
Penso que sim. Ele foi bem elaborado, por uma pessoa de péssima intenção. Por incrível que pareça, a pessoa que inventou o termo "axé-music" começou a usar o termo axé-music denegrindo a imagem da música, falando que axé não prestava. Tentaram rotular isso e terminou que o feitiço virou contra o feiticeiro. O termo axé-music é forte. É uma realidade.
Devem, apenas, separar um pouco. Nem tudo é axé-music. Na bahia são vários estilos musicais. Dizem que o galope é axé-music, o pagode é axé-music, o samba-reggae é axé-music, o reggae... Enfim, tudo que sai da Bahia hoje virou axé, porque uma banda de axé é uma banda da Bahia. Acho que tem que dividir as coisas um pouco. O axé é uma coisa, o pagode é outra coisa... Não é porque sai da Bahia que vira axé.
Carnaval de Salvador. O que vem por aí?
A gente toca domingo, segunda e terça, que são os dias de Carnaval mesmo. No domingo e terça estamos com o bloco Pique na avenida e na segunda a gente está na Barra com o Meu & Seu.Na sexta, faremos a abertura do Carnaval de Aracaju/SE. No sábado é a vez do Carnaval em Santa Isabel, uma cidade perto de Belém/PA.
Você já chamou a atenção do público por descer do trio e ficar cantando no meio do bloco ou por descer de rapel do trio elétrico. Vai continuar fazendo isso?
Sempre que der, né? Às vezes não dá, é complicado, mas quando dá pra fazer, a gente faz. Descer do trio, fazer o rapel. Onde der pra fazer, dá-se um jeito.
O que você tem a falar sobre o título de cidadão Natalense?
Pra mim foi um orgulho muito grande. Natal é uma das cidades que eu mais gosto de passear. Até nosso CD ao vivo foi gravado lá, era mais fácil ter sido gravado na Bahia, mas a gente escolheu Natal, porque sempre me acolheu de braços abertos. É uma cidade que tenho certeza que ainda vou morar. Quando eu me aposentar, vou parar aqui. Vou comprar uma casa pela praia. É uma das cidades que mais cresceu.
Desde quando eu comecei a cantar e comecei a viajar bastante pelo norte e nordeste, umas das cidades que mais se embelezou foi Natal. Ela tanto de dia, quanto à noite, é uma cidade muito bonita.
O Maria Juaquina mal surgiu e já tem sites e blogs espalhados pela internet. Como é sua relação com os internautas?
Eu tô devendo à galera da internet. Com essa mudança toda, até hoje estou sem computador! Não tive tempo. A gente não parou, graças a Deus. Não esperávamos que o ano terminasse desse jeito. Aconteceu uma virada na nossa vida muito grande. Achávamos que as coisas íam evoluir com mais calma, mas o verão fez com que essa evolução fosse de forma totalmente tempestiva. Não paramos hora nenhuma. De vez em quando, a gente pára em algum lugar, eu olho os e-mails e tento responder.
Mas no mês de fevereiro, antes do Carnaval, eu já quero estar com o computador em casa, gosto de dar atenção. O e-mail que eu divulgo eu mesmo leio e gosto de responder.
E o recado que a Maria Juaquina tem pra deixar pros fãs?
Espero que a galera goste. Hoje vai ser o primeiro show nosso perto de Natal. A gente começou o ano já aqui no estado do RN. Já que a gente fez em Macau/RN, aproveitando pra deixar um abraço pra galera de Macau.
Vai ser o primeiro passo de uma grande caminhada. A galera pode ter certeza que a gente vai fazer o melhor possível pro povo se acabar, com chuva, ou sem chuva não tem problema nenhum. Nem que a gente toque parado, mas vai ter que acontecer de qualquer jeito.