Ricardo Chaves
Ricardo Chavespor Daniel Campos | Revisão: Josemar Júnior
Em pleno Carnaval de Salvador, Ricardo Chaves fala sobre os 20 anos de axé, sobre discriminação de bandas no Carnaval Baiano e muito mais!
Porque o bloco EU QUERO, que seria seu bloco oficial, não saiu neste Carnaval?
A empresa que tomava conta da minha carreira até outubro adquiriu o bloco Bizú (atual EU QUERO) onde eu cantaria e seria o meu projeto no verão. Seriam os 3 dias independentes com o projeto OFF ROAD e 2 dias no EU QUERO, que era o bloco que eles teriam comprado. Só que a empresa teve um problema, parou, e quando eu fui tomar pé do bloco, não tinha sido realizado o negócio. Desfizeram e quando eu vi esse problema quis preservar meu nome. Tem 25 anos que faço bloco, participei dos mais importantes blocos de salvador. Tive que optar, na verdade o bloco não existia, ele era meio fictício, porque compra e venda não tinha sido feita. Eu era somente um artista que iria cantar no bloco. Aí acabei colocando o trio independente (OFF ROAD) 5 dias.
Como está sendo puxar novamente a galera da pipoca nesse projeto Off-Road?
Nesse ano mais importante do que tudo, porque são 20 anos do axé. Meu projeto era puxar três dias, nos dias oficiais (domingo, segunda e terça). Porque sem a força da pipoca jamais comemoraríamos 20 anos. A música da bahia é o que é porque veio da força da rua. Ela começou assim. Ontem, nos meus 24 anos de trio elétrico, eu nunca puxei tanta gente como foi a pipoca que seguiu o trio elétrico. Fiquei extremamente feliz e contente. Acho que se o carnaval terminasse ontem, ja estaria realizado. Mas ainda tem hoje e amanhã e com certeza tem muita coisa boa ainda.
Como foi o problema com o ombro?
Foi na véspera do reveillon. A gente estava em fortaleza, porque eu ia tocar lá na virada, e fui ao Beach Park. Logo na primeira descida, em um dos toboáguas, o ombro deslocou e acabei rompendo os ligamentos. Eu já tinha um problema de luxação no ombro. Daí tenho que ficar com essa tipóia para evitar movimentos, senão eles saem de novo. Eu vou operar terça-feira (15/02) que vem.
Mas você tá tocando mesmo assim?
Consigo tocar, mas dói muito. Estou tomando alguns remédios pra dor. Tem que ser né?
Mais uma vez neste Carnaval, você e Durval (vocalista do Asa de Águia) tiveram a oportunidade de cantar juntos. Em algum momento vocês chegaram a planejar alguma coisa juntos?
De tudo que aconteceu entre eu e Durval nesses 24 anos nada foi planejado. A gente começou a torcar junto e não era planejado. Eu não ia cantar na banda Pinel. Eventualmente eu estava fazendo ensaios, porque eles não tinham cantor e eu virei o cantor da banda pinel. Os nossos encontros são sempre prazerosos; Seja no palco, no trio ou fora dele quando a gente se encontra. Durval é uma pessoa muito importante pra mim. Assim como eu tenho certeza, e é verdade, sou importante pra ele. Somos importantes um para o outro.
Algumas pessoas acham que o Carnaval da Bahia está se fechando numa "panelinha" e com isso as bandas que ficaram de fora tendem a ser "apagadas" do cenário. Você acha que estão apagando Ricardo Chaves do cenário da música baiana como fizeram com algumas outras bandas?
Talvez tenha sido uma compreensão errada do que ocorreu com o bloco. Eu cumpri o meu contrato no Crocodilo. Aqui na Bahia, eu sempre cumpri projetos. Fiz 5 anos no pinel, 5 anos no eva, 6 anos no coruja, 3 anos no crocodilo e retornei ao crocodilo. Sempre foram projetos pré-estabelecidos. Quando eu entrei no Crocodilo, que eu vim pra Barra, era pra cumprir 3 anos. Depois eu tive esse projeto de fazer esses 3 dias independentes por causa dos 20 anos de axé. Acho que 24 anos depois eu posso tranqüilamente escolher o que eu quero fazer e o que me dá mais prazer em fazer. Eu acho que não tem como excluir algumas coisas do Carnaval. Jamais me sentirei excluído do Carnaval de Salvador, porque dessa realidade eu sou um dos fundadores.
Algumas bandas da história ficaram no caminho. Não necessariamente por causa de uma panelinha. Esse mercado e esse mundo em que a gente vive é muito complicado mesmo e depende de varios fatores. O que eu garanto é que ano que vem eu tou no Carnaval de novo. O prazer que senti na pipoca foi tão grande, que eu entendo porque a Daniela Mercury há anos atrás largou o bloco e não queria retornar. Foi muito bacana. Eu devo fazer alguma coisa em bloco ano que vem. Mas o projeto OFF ROAD é uma realidade e eu não abandono mais.
Já tem alguma coisa preparada para o Carnaval 2006?
Meus Carnavais representam pra mim o fim de cada ano. O meu reveillon é na virada de terça pra quarta. A quarta feira de cinzas é meu primeiro dia do próximo ano. E eu vou começar a pensar o que vou fazer depois. Agora eu quero curtir esse momento. Eu quero comemorar esses 20 anos de Axé Music porque acho que merecia muito mais do que está sendo feito. Os 20 anos de axé são muito importantes Acho que inclusive o tema do Carnaval de Salvador esse ano deveria ter sido 20 anos de Axé.
Mas o importante é que nós estamos aqui. Os guerreiros, nós que começamos e estamos ainda na ativa. Voltando àquela polêmica da panelinha, eu não vejo como isso pode contecer. O que acho é que as pessoas se excluem dos lugares, não é o público que exclui você. As vezes é você que não acorda para algumas coisas e se coloca fora do circuito. E eu tou longe disso.
Em um trecho de uma música sua você diz: "Qual é o lance dessa lança que bom". Como você encara a proibição e a polêmica em cima da música "Lança-Lança" do Jammil nas vésperas do Carnaval?
Eu acho que essa polêmica em cima da hora, em cima do Carnaval, virou casuísmo. Eu conheco eles profundamente e acho que Tuca, Manno e Beto não mereciam estar em página policial, passando esse tipo de constragimento. Não quero entrar no mérito de "se essa música incita ou não o uso da lança perfume". Mas essa música foi re-lançada há uns 2 ou 3 meses atrás, música de um disco muito antigo do Jammil. Ela começou a tocar em Salvador há muito tempo e deveríam ter chamado eles há muito tempo atrás para conversar e questionar sobre isso. E não esperar a véspera do Carnaval e criar essa polêmica toda. E, de certa forma, provocar um contragimento. Ninguém gosta de ser fotografado entrando pra encontrar delegado. Ninguém de bem gosta disso. Eu sou suspeito pra falar de Manno. Gosto pra caramba dele. Um grande compositor, um grande parceiro de farra.
Manno já é seu parceiro de longa data?
A primeira música dele, foi gravada no disco do Bicho, chamada "Nada Mudou". Foi a primeira composição dele a ser gravada. De lá pra cá gravei outras músicas como "Acabou" que é um super sucesso. Já compusemos juntos. E já planejamos fazer uma música para meu próximo disco. Ele começou a música e eu vou terminar.
Já sabe como será o bloco Bicho Papão (Carnatal) este ano?
15 anos de Carnatal. Eu falei hoje numa entrevista para uma rádio de Natal que minha quarta feira de cinzas, como falei antes, é o meu primeiro dia do ano. Só aí eu vou começar a pensar nos 15 anos do Carnatal e ver como vai ser o Bicho Papão.
Planos para um possível DVD?
Existe um convite pra fazer um DVD esse ano. Eu sou muito chato. Eu demorei muito a gravar meu primeiro disco ao vivo porque eu queria fazer do jeito que eu quis. Demorei e fiz em fortaleza e fiquei muito satisfeito. Tem que ser um DVD que tenha qualidade em qualquer lugar do mundo, que você possa ver, possa ouvir e que as imagens sejam boas. E não lançar um DVD só pra dizer que tem um DVD. Nunca busquei isso na minha carreira e na minha vida.
Você acha que este ano o "Camarote Ricardo Chaves" leva novamente o título de melhor camarote pago do Carnaval de Salvador?
Com certeza! Esse ano o camarote bombou de novo. Quarto ano e muita gente de várias cidades do Brasil, inclusive de Natal, no camarote. Bota aí na agenda: Camarote Ricardo Chaves 2006. Tou esperando todo mundo!
O que você faz quando não está nos palcos ou nos trios cantando?
Eu sou bastante ativo dentro da empresa e, como passo muito tempo fora de casa, eu curto minha familia, meus filhos... Essa é a minha realidade.
Este ano o Abadalação.Com faz 5 anos. Qual sua mensagem para o site?
Espero que vocês tenham a mesma felicidade que eu estou tendo completando 24 anos de carreira. Espero que vocês completem 50 anos com a mesma alegria que eu tive da primeira vez que subi num trio elétrico, e a mesma alegria que estou sentindo agora. Parabéns!
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