Alexandre Peixe


Alexandre Peixe
por Daniel Campos | Revisão: Josemar Júnior

Um dos maiores compositores da Axé Music e "queridinho" do Chiclete com Banana conta como decidiu iniciar a carreira de cantor, dá dicas aos novos compositores e fala do projeto "Axé das Antigas".

A gente sabe que essa não é a primeira vez que você toca em uma banda, no passado Você já tocou numa banda chamada Baranga Pintada. Mas o fato das suas músicas terem estourado na voz de outro cantores, serviu com incentivo para trabalhar a sua carreira como cantor?
Pesquisou heim? (risos). A opção de botar o nome a frente do trabalho não foi uma opção por achar melhor ter o nome, até porque tem uma carga de carreira solo e a responsabilidade é muito grande. Eu montei um projeto chamado "Alexandre Peixe canta Axé das Antigas", um projeto saudosista. A gente fez um trabalho com amigos que são músicos e que hoje até me acompanham, uma coisa despretensiosa. Eu já estava compondo há alguns anos e  montei pra me divertir. Só que esse show foi ganhando público em Salvador, a ponto de ficar 5 meses no mesmo lugar, colocando mais de mil pessoas todos os domingos, e virou uma coisa muito falada, badalada, E eu resolvi, a partir do convite de uma produtora de salvador, a Pequena Notável, seguir esse trabalho de uma forma profissional, com produtores trabalhando com  a gente e tal. E aí surgiu essa idéia. Tínhamos que resolver: ou fazer uma coisa nova, ou continuar com o Alexandre Peixe. Foi assim unânime em dizer pra continuar, porque eu estaria começando do zero se criasse uma marca nova pra iniciar o trabalho.Já vinha há uns 10 anos trabalhando no mercado do Carnaval como compositor, e a referência das pessoas em relação às músicas era Alexandre Peixe, então achei que fosse bacana fazer esse link.

Mas não foi pelas músicas estarem dando certo que eu falei: "Agora eu vou pegar carona no sucesso". Não foi isso. Foi um conjunto de situações: as músicas tocando no rádio, sendo gravadas por outros artistas, eu fazendo um show em homenagem aos 20 anos de axé... Isso tudo somou.

O projeto "Axé das Antigas" coinciciu com os 20 anos do axé?
Foi coincidência, eu não sabia! Inclusive foi assim, eu comecei o projeto em setembro de 2004, enquanto que os 20 anos de axé foram comemorados em 2005. Foi até uma grata surpresa, porque eu não fiz com essa intenção, fiz porque sentia que nos lugares onde eu ia, que eu tocava violão com os amigos, faziar um som em barzinhos ou aniversários, as pessoas pedíam muito esse repertório. Aí a gente pensou: "Por que a gente não monta um show só disso aí? Será que não seria bacana todo mundo que entrasse nesse show, só ouvir flashback?". E deu certo, porque artistas que estavam meio sumidos  voltaram a tocar, em função desse movimento em Salvador de retomar o repertório antigo. A exemplo do Luís caldas que nunca mais tinha aparecido e está aí de novo nos Carnavais tocando.

As bandas estão sempre lançando novos trabalhos, novas músicas, chegando a um ponto em que se tem que escolher o que vai se deixar pra trás. Você acha que o artista deve trabalhar sempre o material novo e deixar de lado as músicas antigas ou revivê-las como você fez com o "Axé das Antigas"?
O axé das antigas foi um projeto, não é o que eu faço hoje. A gente tem viajado, tem feito alguns Carnavais fora de época, como o Vital, onde tocamos esse ano. Mas não dá pra fazer um show só disso. Foi um projeto que chamei de "Projeto Especial de Verão em Salvador". O meu disco traz regravações antigas, músicas novas, do meu lado compositor. Enfim, traz um pouco de cada coisa. Como eu comecei com esse projeto, não posso tirar tudo de vez, então no shows de hoje eu toco Luís Caldas, Armandinho, Dodô e Osmar, toco as músicas do momento, músicas inéditas. Claro que isso é um repertório menor, eu toco músicas que só a gente toca, que pesquiso, nos repertórios. Tem um pouco de cada coisa.

Ao entregar uma música sua para um artista da música baiana, você entrega sempre em axé, ou manda em outros estilos e se o artista quiser ele transforma em axé?
Na verdade a gente entrega ela muito próxima à questão do trio elétrico e do Carnaval. A gente  programa muito as músicas no computador, com bastante percussão, indo num caminho muito carnavalesco. Às vezes eu boto um pop ou uma música romântica, que eu acho que cabe. À exemplo do ano passado, o Chiclete gravou a musica "Do Nosso Jeito" que era um samba, originalmente. Esse ano eu fui gravado pelo KLB, Gian e Giovani... pessoas que estão na praia do romântico. Se a letra for romántica, por mais que seja arranjada em Carnaval, você pode re-arranjar essas músicas em outros ritmos e ela vai ter a mesma funcionalidade. E é o que está acontecendo. As bandas que trabalham para o lado romântico tem gravado esse trabalho.

Nem todos os compositores tem acesso a bons estúdios, arranjadores e produtores. Para os novos compositores, você recomenda que entreguem as músicas todas produzidas e arranjadas, ou basta o tradicional voz e violão?
Eu já escutei de artistas que preferem voz e violão. Até uma vez Ivete (Sangalo) me disse que preferia escutar voz e violão. Se você não arranjar bem, você pode matar uma música boa. Voz e violão pode ter uma beleza que você pode esconder num arranjo! É uma faca de dois gumes! Se você confia, se você tem um amigo que é arranjador, ou ate você mesmo é arranjador e sabe que tem bom senso, você pode ate fazer um arranjo e mandar, mas não anula um bom CD de voz e violão. Se a música for bacana, a melodia tá ali, as pessoas vão identificar que é uma boa canção, e vão gravar, e isso aí não tem muita fórmula não.

No show de lançamento de seu CD, você tocou ao lado do Afrodisíaco de Pierre Onassis e Jauperi, dois outros grandes compositores. Como foi a experiência?
Pra gente é bacana! Teve um outro compositor chamado Jorge Zarath (Salsalitro), que até brincou comigo "Ih Peixe, acho que agora é hora dos compositores, porque você tá à frente de um trabalho, Pierre e Jauperi e eu também". Não sei se isso é exatamente verdade, mas se for verdade, o interessante dessa coisa da matéria-prima da música, ou seja, o compositor estar à frente de um trabalho, é que ele pode conduzir melhor a carreira em relação à concepção musical.
Existem muitos trabalhos que tem músicas escolhidas pelos empresários, isso muitas vezes torna a carreira de um artista instável, pois ele fica muito dependente da criação de fora. Quando você tem um trabalho como o Afrodisíaco, fica muito mais fácil de conduzir uma carreira, você sabe pra onde você tá indo. Claro que você vai ouvir outras coisas de fora também! Eu torço por eles, estão fazendo um trabalho super diferente. percurssivo, a cara da Bahia e com certeza vão ganhar o Brasil.



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