Como foi o início da sua carreira artística?
Quando eu ainda estava na escola, participava de festivais colegiais, mas era uma coisa amadora, embora eu já quisesse trabalhar com música. Eu tinha uma banda de rock, era baixista e cantor de uma banda. Mas quando eu entrei na faculdade, fui convidado pelo Durval Lelys para fazer parte de uma banda que ele tava formando para tocar no carnaval de Salvador, chamada banda Pinel. E isso em 81! Aí eu passei a cantar nessa banda e levei os elementos que tinham da minha história musical para dentro do trio elétrico e estou nessa desde 82. Foi meu primeiro carnaval.
E seu contato com as outras bandas da Bahia?
É o melhor possível, embora depois do sucesso, do "boom" da minha geração, a gente se encontre mais em aeroportos, micaretas. Mas quem começou na minha geração, musicalmente falando, foi o Chiclete, Durval que era guitarrista do Pinel, Luis Caldas, Sarajane. Eu, particularmente, sempre tive um relacionamento muito bom com todos eles.
É verdade que a decisão de gravar esse CD ao vivo em Natal, foi de última hora?
Última hora completa! Essa é uma gincana que a gente está fazendo. Eu estava com todo o projeto do disco pronto, mas não estava definido que ia ser ao vivo. Quando eu vim fazer o último show aqui no mês passado (14/09/2002), que foi meu início de comemoração dos 10 anos de Carnatal junto com o Chiclete, que também está fazendo 10 anos de Carnatal, eu decidi gravar aqui porque a minha relação com Natal é uma coisa muito forte, são 10 anos de sucesso com o bloco. Eu quis me dar esse presente, registrar na minha história esse momento meu com Natal. Tá essa maluquice toda, tem músicas que a gente vai ensaiar agora, músicas que eu acabei de compor na estrada, nesses dias que eu estava fazendo show, mas no final vai dar tudo certo.
Algum trecho de uma dessas músicas que você compôs?
Tem algumas que nem sei a letra ainda (risos). Tava escrevendo ali, agora. O que posso dizer é que são seis músicas inéditas, sendo quatro minhas. A última que eu acabei de compor se chama Pega leve. Tem Zueira, Quando o som rolar, Quero sempre, que ja ta tocando em rádio. Eu estou trazendo uma regravação de uma música de Portugal, de um grupo chamado "Os Anjos" que se chama "Quero voltar". Tem uma música do André Rio, cantor pernambucano, que se chama "O bicho vai pegar" . Vou gravar, a pedidos, "Só você", já que muita gente entrou no site e pediu. Tem "O gelo" e a primeira música de sucesso minha na Bahia, que para Natal vai ser inédita, que se chama "Taba".
Daniela Mercury já aceitou o seu convite e confirmou a presença no Bicho, mesmo dizendo que não ia mais puxar blocos em micaretas. Como foi isso?
Quando a gente estava definindo quem ia ser a atração que estaria comigo nos 10 anos do bicho, muita gente pedia pra eu cantar os 3 dias, mas era uma fórmula que a gente já usava há 3 anos (ou 4 anos), sempre convidando alguém para cantar na sexta feira. A Ivete cantou no último ano, foi um super sucesso. Mas depois da Daniela e da Ivete tava difícil de achar alguém que pudesse vir, e aí eu arrisquei convidar a Daniela, mas com um formato diferente. Ela não vem com a banda dela, ela vai cantar comigo, eu vou ser vocalista de Daniela. Durante alguns anos da carreira dela , ela fez vocal no Eva e eu era o cantor principal. Agora vamos inverter, ela vai estar comandando e eu vou estar tocando. Vamos estar dividindo o palco, mas a estrela vai ser a Daniela Mercury acompanhada de Ricardo Chaves e Banda.
O Bicho Papão já foi puxado pela Banda Mel que trouxe uma música que estourou, "O bicho" , com o refrão já adaptada para o bloco. E no ano seguinte, quando você chegou, a musica já estava na boca da galera, como foi isso?
Naquele ano que o Bicho foi um grande sucesso nacional, surgiu vários blocos com o nome de bicho (aqui Bicho Papão, outros lugares com Bicho preguiça, etc.). Quando recebi o convite para vir ao Carnatal, eu já sabia que existia um bloco simpático e que já tinha uma história com a música "O bicho". Pra mim foi "sopa no mel" (sopa no mel mesmo, a BamdaMel já tinha estourado a música quando puxava o bloco.) E aí de lá veio uma relação mais do que especial, porque em Natal, a partir do Bicho, eu construí amizades bem legais.
O DVD vai ser uma revisão de sua carreira?
Não diria que seja uma revisão. São seis músicas inéditas, vou regravar uma música do Dodô e Osmar, tem " Taba " que foi minha primeira música de sucesso na Bahia, se fosse olhar por esse ponto seria. Mas não é exatamente uma revisão da minha história. Até porque em 98 eu fiz um cd ao vivo, esse sim com os maiores sucessos. Tanto que hoje à noite não vai ser um show exatamente, vai ser uma sessão de gravação, por isso escolhi um lugar onde houvesse uma maior intimidade com o público.
Durante o Carnatal podemos esperar alguma surpresa?
Acho que eu mesmo estou curioso para ver como vai ser meu reencontro com a Daniela musicalmente. Acho que vai ser uma coisa bacana. E vou estar trazendo " Os anjos ", são dois irmãos que cantam pra caramba, fazem um sucesso enorme em Portugal com o público jovem. Eu rearranjei uma das músicas deles, "Quero voltar", e eles vão cantar comigo no trio. Vai ser bacana, um intercâmbio legal.
Qual a diferença da reação do pessoal em Portugal pro Brasil?
Axé é uma música que é difícil você escutar e ficar parado. Isso é uma grande verdade. Em Portugal a gente tem a facilidade da língua. Eles nos entendem melhor do que nós os entendemos. A gente se sente em casa, eles cantam e conhecem tudo. Tem um cara que gravou músicas minhas lá, onde " O bicho ", " Balanço do trem " e " Acabou " estão entre as mais executadas. A música baiana tem um público forte em Portugal.
Como você se classifica? Um cantor de "Axé Music"?
Chamaram o que a gente faz de "Axé Music". Desde quando comecei até hoje, tanta coisa foi incorporada e chamada de axé que fica difícil classificar. Eu faço música para me divertir e divertir as pessoas. E para isso eu tenho uma equipe de músicos competentes. Ninguém sobe para tocar comigo de brincadeira. E acho que isso é o diferencial, as pessoas que gostam de música, quando ouvem um show ao vivo, percebem que ali tem bons músicos trabalhando, que tocam muito e tem muita vontade de divertir as pessoas.
Uma mensagem para a Galera de Natal?
Só agradecer! Eu só posso agradecer a galera de Natal. Há 10 anos eu tenho que ficar agradecendo. E se hoje fosse a última vez que eu fosse cantar em Natal eu teria que estar agradecendo por mais 10 anos sem ter vindo aqui.